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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Educação

Pois tais pessoas não acreditam que 'educação' seja o nome que damos para um processo de formação do pensamento crítico, de desenvolvimento da criatividade e da força de mudança, de consolidação da capacidade de se indignar moralmente, de refletir sobre a vida social e de compreender reflexivamente as múltiplas tradições que nos geraram.
Para elas, 'educação' é só o nome que damos ao processo de formação de mão de obra para empregos precários e mal pagos. Mesmo do ponto de vista do desenvolvimento social, tal escolha é catastrófica.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Feio, sujo e malvado


Artigo de um blogueiro

rafael.rodrigues1976@gmail.com:


Certa vez, em audiência pública no Senado sobre as cotas, ouvi a Dra. Kauffman dizer o seguinte: “Se a questão fosse exclusivamente racial, como pretende fazer crer o movimento negro, os negros seriam os principais aprovados em concurso público, porque eles não precisam se identificar, não existe a fase da entrevista, em grande parte dos concursos públicos, mas, infelizmente, não é isso que acontece. Por quê? Porque o problema não é efetivamente de cor, o maior problema para a integração dos negros no Brasil é um problema de classe, porque, infelizmente, a maior parte dos negros, no Brasil, é pobre”.


Oitenta por cento dos ricos são brancos, 70% dos pobres são negros. O analfabetismo nos brancos é 6,1%, nos negros é 14%. De 14 milhões de analfabetos neste país, nove milhões não negros, e cinco são brancos. Os brancos recebem mais, os brancos têm mais chefias, só 3% dos executivos são negros. E nas universidades públicas, mais de 90% são brancos. Isso tudo com os negros representando 50,6% da população, de acordo com a última PNAD do IBGE.


Quem diz que isso é uma questão puramente econômica, de classe, desconsidera que os brancos pobres conseguem, apesar da pobreza e com muito esforço, chegar mais longe do que os negros. Por quê? Porque os negros têm mais problemas e mais discriminações, com o extermínio da juventude negra nas periferias, a entrada precoce no mercado de trabalho e a questão da baixa auto-estima.


Tem gente que diz que a solução está na educação. Isso é um tremendo cinismo. Como disse o juiz federal William Douglas na mesma sessão no Senado, “se a partir de hoje todos os formados em medicina neste país fossem negros, todos, a gente levaria 25 anos para que o percentual de negros médicos fosse igual ao percentual de negros na população”. E a turma que já está na faculdade, ou que sem ter esta oportunidade teve que começar a trampar mais cedo? Como fica este pessoal do gap?


Doutora, comece a observar nos restaurantes caros que a senhora frequenta, nos clubes e eventos aonde vai, nos balcões das companhias aéreas e nas lojas mais caras dos shoppings quantos negros a senhora encontra? Certamente o percentual não chega a 50,6%, como seria de se esperar caso estivéssemos num país racialmente equânime. Nestes lugares, a concentração de pessoas com olhos azuis chega a ser maior do que na Escandinávia. Onde estão aquelas suas amigas negras da escola? Chegaram à faculdade ou à magistratura junto contigo? Ou ficaram nas peneiras, nos funis, ou pelo meio do caminho?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A origem do mal, barril de pólvora (Oriente-Médio)


Matéria publicada na revista Carta Capital.

Os frequentes atos extremistas que assolam o Oriente Médio remetem à pergunta: hoje palco de tamanha violência, por que Jerusalém foi há pouco mais de um século lugar de convivência respeitosa entre judeus, muçulmanos e cristãos? Devemos considerar que até então a cidade encontrava-se sob a tutela do império turco-otomano, cujo califa de outrora, o sultão Osman III, através de um edito de 1757, delimitou muito bem os direitos e competências de cada religião que entendia ser sua a sagrada Jerusalém. As maiores confusões ficavam por conta dos cristãos, particularmente durante a Páscoa, quando a boa convivência dava lugar a vergonhosos acirramentos entre gregos ortodoxos, católicos armênios, coptas egípcios, maronitas sírios e outras comunidades cristãs. Mas, no geral, a convivência era boa e pautada pela tolerância, salvo excessos eventuais. Certa vez, entrevistei um octogenário palestino que me disse ser um judeu o melhor amigo de seu pai. Vizinhos, era -comum caminharem juntos pelas ruas da Palestina; seu pai virava à esquerda e entrava na mesquita, o amigo à direita para a sinagoga. Finalizadas as orações, encontravam-se na saída e continuavam o passeio. Essa utópica cena para os dias de hoje foi fato um dia na Terra Santa.
Não obstante celeumas ideológicas, é quase impossível não atribuir ao imperialismo europeu (logo, ao capitalismo), o barril de pólvora em que se transformou o Oriente Médio. O desarranjo lógico do território forjou ali as mais es-drúxulas unidades sem o mínimo lastro histórico-geográfico que justificasse a existência de certos países, em particular às margens do Golfo Pérsico, mas também nas areias do deserto. Fronteiras mal formuladas construíram gradativamente o clima de tensão que hoje se abate na região. A tensão evoluiu para violência na segunda metade do século XX, cujas três últimas décadas assistiram ao surgimento de um novo fenômeno: o fundamentalismo.
INTOLERÂNCIA: FENÔMENO DO SÉCULO XX
Quem matou o Mahatma Gandhi? Quem matou Yitzhak Rabin? Quem matou Anwar Sadat? Cada um desses líderes foi morto pelo fundamentalismo intrínseco à sua própria religião.
Apesar de litígios religiosos serem antiquíssimos, é no século XX que o extremismo torna-se fenômeno comum. Temos notícias de atentados religiosos desde o fim do século XIX, quando a Irmandade Muçulmana lutava contra o domínio britânico no Egito. Mas o parâmetro contemporâneo para aquilo que se convencionou designar como “fundamentalismo” podemos encontrar na Revolução Islâmica de 1979, quando o Irã converteu-se em uma teocracia xiita.
Contudo, é no cristianismo que residem os primórdios do fundamentalismo. Suas raízes estão ligadas ao protestantismo cristão norte-americano do século XIX, cuja leitura literal e dogmática da Bíblia difundia a crença de uma supremacia cristã e a não aceitação de outras verdades religiosas, fundamentos que tanto contribuíram para a formação da cultura Wasp (White, Anglo-Saxon and Protestant ou Branco, Anglo-Saxão e Protestante). Líderes norte-americanos passaram a se inspirar nesses preceitos para a orientação do modo de vida, num claro enfrentamento com a modernização da sociedade. Nessa linha, o homem deve pautar-se numa leitura ortodoxa da palavra de Deus, o Ser infalível que orienta todo o modus vivendi da sociedade. Para os fundamentalistas, qualquer interpretação da vida que não encontre uma justificativa bíblica deve ser refutada. A Bíblia não deve ser interpretada, como fazem os teólogos mais progressistas, mas simplesmente obedecida, pois é a verdadeira palavra de Deus: basta segui-la. A História, a Geografia e, principalmente, a Biologia nada acrescentam ao conhecimento. O evolucionismo deve ser banido como teoria e ser substituído plenamente pelo criacionismo – esta, sim, uma teoria embasada na palavra divina. O fundamentalismo consiste nesse comportamento de obediência extrema a um credo religioso, que não aceita conviver com outra perspectiva ou forma de explicação da vida. Há uma única verdade: Deus.
Na perspectiva fanática, portanto, a crença do outro está equivocada. Acontece que, quando o outro pensa da mesma forma, aflora a intolerância e a coexistência torna-se impossível. Resultado: conflitos e mortes. A origem disso é cristã, mas, nos dias de hoje, é o fundamentalismo islâmico o mais atuante de todos e seus feitos, os mais impressionantes.
O fundamentalismo é um movimento reacionário, pois pretende um retorno- aos valores tradicionais que fundamentam sua crença, numa clara oposição ao secularismo e à modernidade. A emergente Índia, por exemplo, candidata à condição de potência econômica nos anos vindouros, tem no combate ao extremismo religioso interno seu maior desafio. O Partido do Congresso, laico, tenta, a duras penas, construir uma nação secular, mas o oposicionista Barhatya Janart Party (BJP), de orientação fundamentalista hindu e que já governou nos anos 1990, luta por uma Índia teocrática, caminhando no sentido contrário e investindo na supremacia bramanista perante uma minoria muçulmana de mais de 150 milhões de habitantes. A atmosfera indiana é de pura tensão.
Tendo como grande ícone a Revolução Islâmica, a opção fundamentalista não ficou restrita ao xiismo; inclusive, nos dias de hoje, é na vertente do sunismo que temos os principais grupos atuando. A falta de atenção, no entanto, pode levar muitos a incorrer no mais comum dos erros: a confusão entre islamismo e fundamentalismo, visto que o noticiário pouco contribui ao discernimento das diferenças, podendo levar a entender o extremismo religioso como circunscrito ao islamismo. Sobre o significado da palavra Islã, o xeque Jihad Hassan Hammadeh, vice-presidente da Assembleia Mundial da Juventude Islâmica, uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, informa que “islã”, na língua árabe, deriva da palavra “salam”, que significa paz, portanto, a essência da religião islâmica é a paz, seu alicerce é a paz, por isso é que a definição de islam é: submissão total e voluntária a Deus Único, então quem é voluntário a Deus deve praticar o que Ele ordena, que é a justiça, a paz, o amor, a solidariedade etc. Quanto à violência, a religião islâmica proíbe qualquer ato de injustiça contra qualquer ser e inclui também a agressão contra o meio ambiente. Deus disse no Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos): “E quem tirar uma vida inocente é como se tivesse assassinado toda a Humanidade, e quem salvá-la é como se tivesse salvado toda a Humanidade”, portanto, o muçulmano é proibido de cometer qualquer ato de agressão injusta, dando-lhe, somente, o direito à legítima defesa, que é direito de qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo e em todas as religiões. Deus disse no Alcorão Sagrado: “E se punirem,- que punam da mesma forma como foram punidos,- e quem tiver paciência, é melhor para os pacientes”.
                                                                                    Foto: Ahmad Gharabl/AFP

Alguns estudiosos do Islã afirmam ser equivocada a expressão “fundamentalismo” para designar os atos extremistas que marcaram o fim do século XX. Em sua concepção, o termo é totalmente infeliz, uma vez que se faz uma adaptação da realidade cristã à islâmica. Tal analogia é então descabida, pois as escolas de filiação religiosa são distintas. Enquanto no cristianismo a interpretação do fundamentalismo é visceralmente conservadora, antimodernista e arraigada aos valores tradicionais da Bíblia, no Islã, dá-se o contrário. Logo, o que vemos e classificamos hoje como fundamentalismo islâmico é exatamente o oposto daquilo que pregam os verdadeiros estudos dos fundamentos do Islã. Regimes como o iraniano ou o que era vigente até há pouco tempo no Afeganistão seguem o oposto daquilo que seriam os “fundamentos do Islã.”

sábado, 5 de fevereiro de 2011

EUA mais uma vez, e com Obama, Vai produzir crise no Oriente-Médio


Conversa Afiada e o Blog Esfera SOcial  reproduzem texto enviado pelo Stanley Burburinho, o reparador de iniquidades (quem será Stanley Burburinho ?).
Glenn Beck é uma espécie de Prates – sempre vale a pena rever o vídeo em que ele ataca pobre que tem automóvel.
Mas, aqui para nós, o Glenn não disse nada que a Folha (*) já não tenha dito.
Nada que o Padim Pade Cerra não tenha dito, a portas fechadas, no Clube da Aeronáutica do Rio.
Quanto ao projeto “em busca da felicidade”, deve ser outra bobagem do Traíra I, Cristóvão Buarque (Traíra II é verde por fora a azul por dentro).

Comentarista da Fox News chama Dilma de ‘ex-comunista e ex-terrorista’

Glenn Beck comparou ‘PEC da Felicidade’ com antiga constituição soviética. Segundo ele, ‘comunistas acham que as pessoas do Brasil são estúpidas’.

Do G1, em Brasília

O comentarista conservador Glenn Beck chamou a presidente Dilma Rousseff de “ex-comunista e ex-terrorista” em seu programa desta quinta-feira (3) na emissora Fox News, dos Estados Unidos.

Beck fez a afirmação no contexto de um comentário sobre a atual crise política no Egito. O G1 procurou a assessoria do Palácio do Planalto, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

“Vocês lembram quando eu falei a vocês sobre o Brasil. Eles elegeram uma ex-comunista e ex-terrorista, que esteve na prisão por um tempo”, afirmou o comentarista.

Segundo Beck, “os comunistas acham que as pessoas do Brasil são estúpidas. Eles acabaram de anunciar e votar ontem [2] uma emenda sobre a busca da felicidade como objetivo a ser alcançado”.

Comissão do Senado aprova incluir ‘busca da felicidade’ na Constituição

A proposta de emenda constitucional apelidada de PEC da Felicidade, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em novembro passado. Para alterar a Constituição, no entanto, tem de ser aprovada por três quintos dos senadores (49 votos) e três quintos dos deputados (308 votos) em duas votações em cada casa legislativa.

Beck disse que a busca da felicidade do projeto brasileiro foi inspirada pelo texto da declaração de independência dos Estados Unidos. “A mídia saudou como “democracia”. “Ohh, não é formidável? É praticamente Thomas Jefferson”, disse, em referência ao terceiro presidente norte-americano, autor de grande parte do texto da declaração.
O apresentador afirma que a ideia de felicidade expressa no projeto brasileiro poderia ser entendida como “a garantia de renda, moradia, empregos”, mas que esses mesmos objetivos estavam expressos na antiga constituição soviética.
“Você lê que a felicidade nessa nova emenda à Constituição significa a garantia de renda, moradia, empregos, uau! [...]. Eu li a constituição comunista soviética, que garante direitos a trabalho, descanso, lazer, proteção à saúde, cuidados aos idosos, aos doentes, moradia, educação, benefícios culturais. Quase como a busca pela felicidade, de uma forma distorcida”, declarou.

Então, Beck passa a criticar a proposta brasileira, o comunismo e as manifestações no Egito pela queda do ditador Hosni Mubarak.

“Você vê o que eles fizeram. Ele estão pegando ideias horríveis do comunismo. Assistência não produz nada a não ser miséria, pobreza e o massacre de dezenas de milhões de pessoas, centenas de milhões globalmente, embaladas em democracia, república, Thomas Jefferson. Eles pensam que você é retardado. Isso não é uma revolução no Egito. Isso é uma revolução socialista islâmica no Egito. Não tem nada a ver com democracia”, afirmou.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

JK de saias lembra compromisso com erradicação da miséria

Saiu no Blog www.conversaafiada.com.br do Jornalista Paulo Henrique Amorim

No pronunciamento no Congresso, a presidenta Dilma Rousseff manteve a prioridade de erradicar a pobreza.

É a sua marca, desde a campanha.

Outra marca da campanha: a presidenta apresentou-se ao Congresso de forma cautelosa e moderada.

Não correu riscos.

Crescimento com inclusão.

Qualidade do gasto público.

Austeridade.

A inflação não voltará.

Ela acabou de fazer barba, cabelo e bigode com a eleição das mesas do Senado e da Câmara.

Não precisava dizer muito mais do que o eleitor já sabia, na hora de votar.

Diz ter orgulho de ter feito parte da equipe do presidente Nunca Dantes.

E, como não podia deixar de ser, mostrou-se  a “tocadora de obra”, um JK de saias.

O PAC II já está em andamento.

Um trilhão de dólares de investimentos até 2014.

É dinheiro para virar esse país pelo avesso.

Nunca dantes neste país se viu o que ela anunciou: o investimento em rodovia será igual (em torno de R$ 45 bilhões) ao da ferrovia.

460 em energia.

280 em petróleo.

O Minha Casa Minha Vida vai construir mais 2 milhões de moradias e gastar R$ 278 bilhões.

Nunca dantes.

(Não se tem notícia de uma única obra do FHC que tenha utilisado tijolo ou cimento.)

A Copa do Mundo, lembrou a presidenta, vai ter jogos em cidades que concentram 2/3 da população brasileira.

A Copa trará benefícios permanentes, disse ela.

Um raro momento de exaltação retórica:

Pela primeira vez o Brasil tem a possibilidade de se tornar uma Nação desenvolvida.

E nós não deixaremos que essa oportunidade seja desperdiçada.

(Aplausos moderados, como prefere a presidenta. Moderadamente.)


Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


O  Esfera Social reproduz excelente artigo do professor Venício A. de Lima, antes publicado no Observatório da Imprensa:

CONVERGÊNCIA vs. PROPRIEDADE CRUZADA

A quem interessa a confusão?


Por Venício A. de Lima em 1/2/2011


A chamada “revolução digital” provocou uma reviravolta no mundo das comunicações. Uma única tecnologia – por exemplo, a fibra ótica – possibilita a transmissão, vale dizer a distribuição para consumidores, tanto de sons como de textos e de imagens. Diluíram-se as fronteiras entre as telecomunicações e a radiodifusão, por exemplo. Além disso, jornalistas multimídia produzem conteúdo noticioso para rádio, jornal, revistas, televisão e portais na internet. Daí porque se fala na “convergência de mídias”, expressão que tem por base as mudanças tecnológicas que permitem, por exemplo, que um “consumidor” escute rádio, veja TV, assista filmes, leia jornais e revistas em um único “receptor” – por exemplo, um computador pessoal.


Há, no entanto, uma diferença fundamental: emissoras de rádio e televisão, assim como operadoras de telefonia fixa e móvel, continuam sendo um serviço público, concedido pela União a grupos privados, para exploração sob determinadas condições e por prazo determinado. Os jornais, revistas e portais na internet, apesar de manterem a natureza de serviço público, não dependem de concessões do poder público.


Já a propriedade cruzada é um conceito da economia política do setor. No Brasil, ela tem sido historicamente a base sobre a qual se consolidaram os oligopólios privados de mídia. Um mesmo grupo, no mesmo mercado, controla diferentes mídias – concessões públicas ou não, em níveis local, e/ou regional e/ou nacional. Essa é a história da formação e consolidação, para ficar apenas em dois exemplos, dos dois principais grupos privados brasileiros de comunicações: os Diários Associados e as Organizações Globo.


Acresce à propriedade cruzada – que nunca foi de fato regulamentada no Brasil – a ausência de controle do Estado sobre a formação de redes (networks), tanto de rádio quanto de televisão.


A exceção é o Brasil


No mundo democrático, a propriedade cruzada no mercado de comunicações é sempre controlada. Nos Estados Unidos a Federal Communications Commission (FCC) começou a regulação quando de sua criação em 1934. O Brasil é uma exceção.


Apesar de o parágrafo 5º do artigo 220 da Constituição ser explícito ao consignar que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”, não há regulamentação sobre o assunto.


O fato, aliás, é um dos objetos da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) nº 10 [originalmente Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4475], da lavra do jurista Fábio Konder Comparato, que trata especificamente da “omissão legislativa inconstitucional em regular a proibição de monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação social”. Lembra a ADO que…


“(…) para ficarmos apenas no terreno abstrato das noções gerais, pode haver um monopólio da produção, da distribuição, do fornecimento, ou da aquisição (monopsônio). Em matéria de oligopólio, então, a variedade das espécies é enorme, distribuindo-se entre os gêneros do controle e do conglomerado, e subdividindo-se em controle direto e indireto, controle de direito e controle de fato, conglomerado contratual (dito consórcio) e participação societária cruzada. E assim por diante. Quem não percebe que, na ausência de lei definidora de cada uma dessas espécies, não apenas os direitos fundamentais dos cidadãos e do povo soberano em seu conjunto, mas também a segurança das próprias empresas de comunicação social, deixam completamente de existir? Em relação a estas, aliás, de que serve dispor a Constituição Federal que a ordem econômica é fundada na livre iniciativa e na garantia da livre concorrência (art. 170), se as empresas privadas de comunicação social não dispõem de parâmetros legais para agir, na esfera administrativa e judicial, contra o monopólio e o oligopólio, eventualmente existentes no setor? [grifo meu; ver, neste Observatório, "Três boas notícias"].


Parece claro, portanto, que a concentração da propriedade nas comunicações, fundada na propriedade cruzada, não pode ser justificada pela “convergência de mídias”.


Propriedade cruzada se refere à oligopolização do mercado, vale dizer, à negação do mercado livre de idéias, tão caro à ideologia liberal. A propriedade cruzada, na prática, significa menos vozes, menos pluralidade, menos diversidade. Um atentado à liberdade de expressão. De fato, uma forma disfarçada de censura.


“Convergência de mídias” se refere a um avanço tecnológico provocado pela digitalização cujas conseqüências, por óbvio, não estão acima da pluralidade, da diversidade e nem da universalidade da liberdade de expressão.


A manchete do Estadão


Nesse contexto, e tendo em vista os esclarecimentos já prestados pelo ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, o que resta de intrigante são as razões de fundo da manchete de primeira página do Estado de S.Paulo de quinta-feira (27/1) e da matéria assinada por três jornalistas – um dos quais o diretor de Redação: “Convergência de mídias leva governo a desistir de veto à propriedade cruzada”.


Além do Estadão, quem estaria interessado em confundir “convergência de mídias” com propriedade cruzada? E, mais importante: quem estaria interessado em colocar na agenda pública a precária hipótese aventada por um conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), fonte da matéria, como se aquela opinião pudesse constituir uma decisão de governo em matéria que, de fato, é constitucional?


***


PS: Três complementos ao artigo publicado na edição 626 do Observatório,“Barack Obama recua, concentração aumenta”:


1. À exceção de um commissioner, a FCC que decidiu sobre a compra da NBCU pela Comcast foi nomeada por Barack Obama. A exceção é Michael J. Coops, cujo mandato está vencido desde 30 de junho de 2010 e que, curiosamente, foi o único que votou contra a decisão;


2. Tanto o CEO da Comcast, Brian Roberts, quanto o CEO da NBCU, Steve Burke, são importantes financiadores de candidatos do Partido Republicano; e


3. Uma das primeiras medidas do comando do novo grupo Comcast/NBCU depois da decisão da FCC foi a confirmação da demissão do comentarista político “liberal” Keith Olbermann, da MSNBC.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Crise do petróleo? O que que isto tem haver com o Egito???

     Vamos lembrar um pouco do interesse Americano (EUA) na Região do Oriente Médio -  Extração de Petróleo - O Egito e Israel são os principais aliados americanos no Oriente médio,gozam de uma verba estratosférica para ser fiel aos EUA, Logo fazem vista grossa para a Democracia nesta região, Pois o presidente  do Egito esta no poder mais de 30 anos, lá Não tem eleição direta, o povo não tem vez. Em  Israel os americanos apóiam o massacre  dos palestinos pelos Judeus.

     No Egito o povo esta na rua protestando pelo reestabelecimento da democracia e eleições direta para presidente e poder elegerem seus representantes (deputados,senadores) noCongresso.

Fica a pergunta, os EUA Vai dar apoio para os Cidadãos ou a Cúpula do poder. Se der apoio aos cidadãos, terá que costurar outro acordo com o imenso oleoduto que atravessa o território até o mediterrâneo, se der apoio ao Ditador, fica como está , mas também sem moral para com o Irã, Iraque e Afeganistão.

E você o que acha?

sábado, 29 de janeiro de 2011

Tô ficando maluco??

Será que estou sozinho,ou tem mais gente . As vezes penso que os meios de comunicação escreve e todo mundo percebe, mas quando comento com alguma pessoa que esta perto , um amigo, parente...sei lá algum comentário bobo, mas logo me dizem que estou obcecado, que só vejo o lado ruim da coisa... Mas a verdade é que ficou muito claro que a imprensa de modo geral esta manipulando as informações, editando texto, resumindo declarações , com o intuito de desviar a atenção do leitor , menos esclarecido, para que ele atraves daquele fato ou noticia manipulada possa pensar de uma maneira em que esta noticia é verdadeira e a partir dai este fato se torna uma verdade absoluta e os fatos a partir desta manipulação se torna incontestavel e o povo engole de guela a baixo achando que o " certo é errado e o errado é certo ",

Agora o absurdo é que as ações que distribui renda são a mais contestada. Noticia-se que o Brasil esta gastando mais do que arrecada.fato. Manipulação Que o governo tem que cortar custo...e onde o governo invest..Moradia, educação, saude , infra-estrutura (estradas, Saneamento, portos e aeroportos) e outros e a ajuda de alimentação como o Bolsa família.   Todos são beneficiados principalmente os menos favorecidos, ai sai no jornal que o governo gasta de mais e o povo concorda  ai vem a paulada no povo....menos saude, educação, nemos ajuda , menos distribuição e o proprio povo pede menos...

Eu que tô ficando maluco, ou o povo que não sabe interpretar esta manipulação?

e.t.  as pessoas que comento isto são geralmente pessoas com diplomas superior,imagine as que nem escola tem?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Egito ... Internet... Democratização da Cominicação.

Com o acesso não mais exclusivo de Jornais, revistas e Televisão; O mundo esta sendo cada vez mais democrático, pois os Órgãos de repressão que sempre estiveram do lado minoritário e dominador, agora tem de encontro a este artifício  o uso maciço  da tecnologia da internet e celulares, pois não são controlados as informações atravessam fronteiras geográficas e imaginarias e são a verdadeira revolução do século XXI, o que esta acontecendo neste momento no Egito,um pais arame e muçulmano  é uma amostra do que esta para vir nos quase 1 bilhão de novos consumidores (ira, iraque, Indonésia...etc...etc...)  veremos nos aproximados dias os acontecimentos

**

Os Americanos estão numa sinuca de bico  , Apoiam o seu maior aliados do mundo Árabe, ou apoiam a democracia e seu grande mercado consumidor...

O governador Alckmin SP, fez aula inaugural em colégio com mensalidades de R$ 1.750,00

Ontem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), fez uma aula inaugural, praxe adotada pelos últimos governadores em início de mandato, foi a uma escola particular de alta tradição, localizada em uma das regiões, Jardim Paulista, mais ricas da capital paulista, cuja mensalidade de R$ 1.750, em alguns casos, não chega a ser um salário de um professor da rede pública paulista.
A sala de aula não está se quer perto dos sonhos da melhor escola estadual, com ar condicionado, data show, lousa digital e alunos(as) devidamente comportados(as) e com alto interesse no assunto.
A pergunta é: por que Alckmin sequer compareceu em uma escola estadual para sua aula inaugural? Qual o receio?
Talvez o receio deva ser visualizar o descaso como a educação pública pelo menos nos últimos 20 anos, ou seja, praticamente uma geração, é tratada no estado de São Paulo.
Ou quem sabe a “vergonha” de observar as salas de aula completamente lotadas com mais de 60 alunos, ou até mesmo, encontrar as “famosas” cartilhas implementadas na educação pública, diga-se de passagem, de péssima qualidade, em que o professor passa a ser um mero aplicador. Com isso, a escola perde a sua autonomia.
A educação é a porta para o futuro, cada vez mais estamos vivendo a sociedade do conhecimento. E essa sociedade está começando completamente desigual, basta observar as melhores escolas particulares e as melhores escolas públicas. Desigualdade essa, que irá refletir nas oportunidades futuras.
Além do que, um fato pouco destacado é o alto índice de violência nas escolas, não somente na saída ou entrada dos alunos, mas sim, contra professores. Desde a década de 90, os professores têm enfrentado o crescimento da violência dentro das escolas.
O que se chamava de indisciplina passou repentinamente a ter um caráter de agressão. Quem sabe essa agressão seja derivada do abandono dos prédios e das estruturas escolares, da falta de valorização dos professores.
Portanto, Alckmin ao preferir ir a uma escola privada ao invés de uma escola pública, tenha os seus motivos, que estão explicitados nas realidades sociais de alunos, pais e professores; não enfrentá-los pode nos sinalizar a poda da esperança, do sonho, da igualdade de oportunidades e da construção da cidadania.